Filha amada, esta semana estive na casa da vovó. Fui até lá para pegar uma encomenda que seu avô mandou para você. Como você sabe o vovô mora longe, muito longe, já há bastante tempo... A mamãe sempre sentiu muita falta dele. Não pudemos conviver juntos como gostaríamos e é bastante provável que você também não tenha esta oportunidade. Mas saiba filha minha, que o vovô te ama muito e mandou para você o melhor presente que talvez você tenha recebido até hoje - é um presente mágico! Junto com este presente, seu avô mandou-lhe uma carta, que transcrevo aqui, no seu espaço, para que você possa ler e reler sempre que desejar. Aproveite filha minha, este compartilhar!
“Vilhena - Ro, 9 de maio de 2.011.
Oi, Olívia! Seja bem-vinda, minha primeira neta.
Dizem que a felicidade é diretamente proporcional ao valor do presente recebido, não é verdade. Um presente muito caro nos dá a sensação de felicidade, porém, logo nos acostumamos com o objeto e esse sentimento desaparece. Para que essa emoção dure, se faz necessário que o objeto tenha sentido e tenha objetivo mais profundo.
Estive pensando em oferecer-lhe uma lembrança, algo que a fizesse lembrar-se de mim. Mexendo no “baú” das minhas memórias (na verdade uma mala velha toda desconjuntada remendada com fita adesiva e amarrada com barbante) encontrei um adorno para estante que é uma imagem de um cavalinho branco com várias linhas pretas, bem suaves, confeccionado em louça. Objeto muito antigo.
Conheci esse corcel quando eu tinha apenas 7 para 8 anos de idade. Ficava em um móvel ao lado de um grande e bonito relógio em porcelana. Nesta época, passei um ano em Altinópolis, cidade natal de sua bisavó, na casa de meus tios Antônio Barreiros e Haidê (Battella) Barreiros e seus filhos. Na hora de dormir, meus tios e principalmente minha prima Ceci invocavam a imagem desse cavalinho, que nunca teve nome, e com a ajuda dele e tendo a mim como cavaleiro criavam histórias mirabolantes, grandes aventuras.
As narrativas começavam sempre com novos cenários: “Então, estavam o Silvinho e o cavalinho à beira de um rio...” Ou em outra situação qualquer, quando de repente, acontecia alguma coisa e o cavalinho se transformava em um Pégaso de cor azul com asas deslumbrantes. Nessas histórias ele recebia o nome de Cavalinho Azul. Vivi aventuras fantásticas! Éramos heróis! Mas, nunca soube os finais das historietas, eu dormia antes...
Os anos se passaram... E foram muitos... Certo dia, eu já casado com sua avó Lília, sua mãe e sua tia Fernanda ainda pequeninas, estamos assistindo televisão quando a campainha toca e vou atender. Tive uma grande e agradável surpresa! Depois de muitos e muitos anos revejo minha prima Ceci. Conversamos muito e em dado momento ela me entrega uma caixa. Ao abri-la outra emocionante surpresa! Precisei segurar as lágrimas. Um grande nó na garganta. Dentro daquela caixa simples estava o meu companheiro de tantas aventuras, perfeito, sem nenhum arranhão. Inclusive com o selo da fábrica.
Querida Olívia, queria deixar contratado um pacote de viagem, para que na adolescência, você pudesse visitar a Lua, Marte, Plutão, deslizar nos anéis de Saturno. Pesquisei na internet, inclusive no site da NASA, no site Programa Espacial Russo e não encontrei nenhum pacote à disposição. Portanto...
Um dos poucos objetos a que tenho apego é o Cavalinho Azul. E torço para que essa pequena lembrança possa representar algo especial para você, espero que goste dele. Acredito que seu pai e sua mãe saberão usá-lo para intensificar sua imaginação e levá-la a aventuras fantásticas, e porque não ao espaço sideral?
Minha querida neta, talvez quando você tiver condição de ler esta carta eu já não esteja presente para admirá-la. Porém, só de saber que você existe já me traz muita alegria. Há muito tempo tenho tido três motivos para ser feliz: Claudia, sua mãe, Fernanda, sua tia e o Claufer, seu tio. E agora, você!
Que sua vida seja repleta de momentos felizes.
Seu avô materno.

Nossa Clau, que lindo!
ResponderExcluirSei que ficou muito feliz e emocionada.
Fiquei impressionado com o carinho e delicadeza que seu pai expressou nessa carta e atitude!
Parabéns!!!!!
Cediço que a Olívia ficará muito feliz!
Beijão!!!
São estas pequenas heranças que dão sentido a "FAMILIA". Parabéns Claudia, Lilia, Silvinho e seja bem vinda Olivia!
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