quinta-feira, 19 de maio de 2011

De Geração para Geração

INTRODUÇÃO

Filha amada, esta semana estive na casa da vovó. Fui até lá para pegar uma encomenda que seu avô mandou para você. Como você sabe o vovô mora longe, muito longe, já há bastante tempo... A mamãe sempre sentiu muita falta dele. Não pudemos conviver juntos como gostaríamos e é bastante provável que você também não tenha esta oportunidade. Mas saiba filha minha, que o vovô te ama muito e mandou para você o melhor presente que talvez você tenha recebido até hoje - é um presente mágico! Junto com este presente, seu avô mandou-lhe uma carta, que transcrevo aqui, no seu espaço, para que você possa ler e reler sempre que desejar. Aproveite filha minha, este compartilhar!

“Vilhena - Ro, 9 de maio de 2.011.

Oi, Olívia! Seja bem-vinda, minha primeira neta.

Dizem que a felicidade é diretamente proporcional ao valor do presente recebido, não é verdade. Um presente muito caro nos dá a sensação de felicidade, porém, logo nos acostumamos com o objeto e esse sentimento desaparece. Para que essa emoção dure, se faz necessário que o objeto tenha sentido e tenha objetivo mais profundo.

Estive pensando em oferecer-lhe uma lembrança, algo que a fizesse lembrar-se de mim. Mexendo no “baú” das minhas memórias (na verdade uma mala velha toda desconjuntada remendada com fita adesiva e amarrada com barbante) encontrei um adorno para estante que é uma imagem de um cavalinho branco com várias linhas pretas, bem suaves, confeccionado em louça. Objeto muito antigo.

Conheci esse corcel quando eu tinha apenas 7 para 8 anos de idade. Ficava em um móvel ao lado de um grande e bonito relógio em porcelana. Nesta época, passei um ano em Altinópolis, cidade natal de sua bisavó, na casa de meus tios Antônio Barreiros e Haidê (Battella) Barreiros e seus filhos. Na hora de dormir, meus tios e principalmente minha prima Ceci invocavam a imagem desse cavalinho, que nunca teve nome, e com a ajuda dele e tendo a mim como cavaleiro criavam histórias mirabolantes, grandes aventuras.

As narrativas começavam sempre com novos cenários: “Então, estavam o Silvinho e o cavalinho à beira de um rio...” Ou em outra situação qualquer, quando de repente, acontecia alguma coisa e o cavalinho se transformava em um Pégaso de cor azul com asas deslumbrantes. Nessas histórias ele recebia o nome de Cavalinho Azul. Vivi aventuras fantásticas! Éramos heróis! Mas, nunca soube os finais das historietas, eu dormia antes...

Os anos se passaram... E foram muitos... Certo dia, eu já casado com sua avó Lília, sua mãe e sua tia Fernanda ainda pequeninas, estamos assistindo televisão quando a campainha toca e vou atender. Tive uma grande e agradável surpresa! Depois de muitos e muitos anos revejo minha prima Ceci. Conversamos muito e em dado momento ela me entrega uma caixa. Ao abri-la outra emocionante surpresa! Precisei segurar as lágrimas. Um grande nó na garganta. Dentro daquela caixa simples estava o meu companheiro de tantas aventuras, perfeito, sem nenhum arranhão. Inclusive com o selo da fábrica.

Querida Olívia, queria deixar contratado um pacote de viagem, para que na adolescência, você pudesse visitar a Lua, Marte, Plutão, deslizar nos anéis de Saturno. Pesquisei na internet, inclusive no site da NASA, no site Programa Espacial Russo e não encontrei nenhum pacote à disposição. Portanto...

Um dos poucos objetos a que tenho apego é o Cavalinho Azul. E torço para que essa pequena lembrança possa representar algo especial para você, espero que goste dele. Acredito que seu pai e sua mãe saberão usá-lo para intensificar sua imaginação e levá-la a aventuras fantásticas, e porque não ao espaço sideral?

Minha querida neta, talvez quando você tiver condição de ler esta carta eu já não esteja presente para admirá-la. Porém, só de saber que você existe já me traz muita alegria. Há muito tempo tenho tido três motivos para ser feliz: Claudia, sua mãe, Fernanda, sua tia e o Claufer, seu tio. E agora, você!

Que sua vida seja repleta de momentos felizes.

Seu avô materno.
Silvio Batella Xavier”

2 comentários:

  1. Nossa Clau, que lindo!
    Sei que ficou muito feliz e emocionada.
    Fiquei impressionado com o carinho e delicadeza que seu pai expressou nessa carta e atitude!
    Parabéns!!!!!
    Cediço que a Olívia ficará muito feliz!
    Beijão!!!

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  2. São estas pequenas heranças que dão sentido a "FAMILIA". Parabéns Claudia, Lilia, Silvinho e seja bem vinda Olivia!

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